Acho que ontem foi só ilusão. Não foi real me sentir melhor porque hoje já me sinto como antes. Ou talvez foi real mas na ânsia da constância deixei de acreditar? Muito leio ouço falo mas ultimamente nada me traz a vontade de ler ouvir e falar mais como arte e não como necessidade. Algo bate constante dentro de mim e parece meu coração. Mas se devia ele ser órgão da vida porque a batida me causa tanto a ânsia de não viver? Esse incomodo constante que me lembra o tempo todo que não sou feita de verdades mas de perguntas sem respostas e pensamentos sem fim. Vivo inúmeros e infinitos diálogos internos sobre coisas que dariam bons filmes de baixo orçamento que ninguém quer ver ou delírios de monólogos nunca apresentados. A minha mente escreve brigas, acertos e despedidas que nunca saem pela minha boca pois pra falar precisa interagir e eu queria mesmo era estar inerte até que um verme comecelentamente a me roer. Mas também não quero tanto que ele faça isso pq se me roer viva vai doer e já há tanta dor por aqui que essa não vou querer.
Resolvi marcar uma médica psiquiatra. Entendi que se as coisas estão como estão e me causam sofrimento, talvez exista uma forma de minimizar isso e eu me sentir um pouco mais estável. Hoje estou vendo as coisas com um pouco mais de clareza, não me sinto 100% sem energia nem derrotada a ponto de não conseguir me levantar. Comecei então a me dedicar a reunir as informações para ter uma boa conversa com essa médica. Sei que ao longo da minha adolescência estive várias vezes em psiquiatras e neurologistas, sei que fiz um tratamento a base de remédios e que fiz 6 ou 7 anos de terapia. Perguntei para a minha mãe, ela não se lembra de nada disso. A minha mãe teve depressão durante grande parte da minha infância e adolescência, então parte da minha história se perdeu. Não sei se posso confiar nas minhas memórias, na forma como lembro os acontecidos.