Hoje eu acordei com a energia um pouco melhor. Já não parece tão impossível levantar da cama, cheguei até a sentir uma leve animação. Meus pais estão aqui em casa então isso ocupa bastante do meu corpo, pensamento e emoção. Não sei distinguir se estou melhor ou se me convenci, assim como foquei em convencer eles, de que não há nada de errado. É engraçado pois já abordei com a minha mãe de que algo não anda bem comigo e que ando em uma frequência alta de idas à minha psicóloga mas de repente parece bem importante desdizer em atitudes o que eu disse em palavras. No final, talvez todos fiquem confusos como eu, sem saber em que acreditar. Será que isso é proteção de mim mesma ou dificuldade em pesar o clima? Quando penso nisso me dá uma coisa no peito, parece que meu coração vai entupir. Um carro está passando agora a noite comuna música bem alta e continuo sensível aos barulhos não solicitados. Já tenho um pouco de vontade de falar, mas não tenho vontade de dizer nada que não venha espontaneamente de mim, estão talvez eu esteja boa para conversas unilaterais ou monólogos. Talvez nada diferente do que acontece aqui,um grande monólogo interno de alguns absurdos ou nem tanto da minha mente. Eu ano minha esposa e meu filho. Não sei se amo meus pais. Mas sei que ainda não sinto vontade de conversar. Não que eu não o faça, pois sigo conversando com eles o mais engajada possível, mas não sinto vontade de puxar um assunto ou estender algum já existente
Resolvi marcar uma médica psiquiatra. Entendi que se as coisas estão como estão e me causam sofrimento, talvez exista uma forma de minimizar isso e eu me sentir um pouco mais estável. Hoje estou vendo as coisas com um pouco mais de clareza, não me sinto 100% sem energia nem derrotada a ponto de não conseguir me levantar. Comecei então a me dedicar a reunir as informações para ter uma boa conversa com essa médica. Sei que ao longo da minha adolescência estive várias vezes em psiquiatras e neurologistas, sei que fiz um tratamento a base de remédios e que fiz 6 ou 7 anos de terapia. Perguntei para a minha mãe, ela não se lembra de nada disso. A minha mãe teve depressão durante grande parte da minha infância e adolescência, então parte da minha história se perdeu. Não sei se posso confiar nas minhas memórias, na forma como lembro os acontecidos.